Nos últimos dois meses, crianças e jovens de Cariacica que estudam nas redes municipal e estadual de ensino estão vivendo a emoção de conhecer as paisagens do entorno da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), por meio das viagens culturais que integram as ações do Projeto “Viagem Capixaba”. Eles têm a oportunidade de vivenciar na prática os conhecimentos que são assimilados nas salas de aula por meio das oficinas formativas em quatro linguagens criativas com foco em memória ferroviária – Podcast, Composição Musical, Fotografia e Roteiro e Criação de Personagens para História em Quadrinhos (HQ).
Uma iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), viabilizada por meio dos Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), com realização do Instituto Com.Chá em articulação e parceria com a Vale, o Projeto “Viagem Capixaba” compreende a realização de 100 oficinas formativas ao longo do ano de 2026, voltadas para estudantes de escolas públicas localizadas próximas à ferrovia.
Juntamente com as oficinas, estão previstas 17 viagens culturais de trem no trecho entre Cariacica, Vila Velha e Serra, e a produção de um acervo imaterial vivo, contemplando um público de até 10.200 participantes ao longo dos quatro anos de execução do projeto, que registram memórias das comunidades e da linha férrea de forma entrelaçada.
Memória e segurança
As viagens de trem encerram os ciclos de oficinas nas quais os participantes são convidados a produzir narrativas sobre memória, comunidade e segurança. Ao embarcar na Estação Pedro Nolasco, os 150 participantes recebem um passaporte de viagem no qual irão anotar suas impressões sobre o passeio e registrar o conteúdo produzido nas oficinas.
O trajeto é animado pelo grupo de teatro Cabeluxo, que criou uma dramaturgia própria para incentivar os participantes a observar o território ao redor da ferrovia, refletir sobre a convivência das comunidades com o trem, perceber a importância da memória ferroviária e desenvolver um olhar mais atento sobre cidadania e segurança nos trilhos.
Os alunos da EMEFTI Arthur da Costa e Silva, do bairro Aparecida, aprovaram a experiência. É o caso da Maria Eduarda, que fez a oficina de História em Quadrinhos com o professor Arabson de Assis e aproveitou a oportunidade para passear de trem pela primeira vez. “Gostei muito da experiência. Os trens da Vale são maravilhosos e superconfortáveis. Foi muito legal porque teve teatro, várias paisagens lindas e um ambiente muito confortável”, afirma.
A aluna Evelyn Adassa, que estuda na mesma escola e também fez a oficina de História em Quadrinhos, saiu do passeio com a mesma impressão: “Achei muito interessante quando passamos pelo manguezal, que tem uma paisagem muito bonita. A apresentação de teatro também foi muito legal porque ouvimos informações sobre várias regras de segurança. Amei tudo”, vibra a jovem.
Composição musical
Por sua vez, Kauane Victoria Pereira de Souza estava radiante com a participação na oficina de Composição Musical, apresentada pelas compositoras Brenda Nayra e Dani Nogueira. Em cinco dias de aulas, com carga horária de 20 horas, os alunos tiveram orientações teórico-práticas sobre propriedades do som, elementos da música e estruturação de composição musical.
Ao final, compuseram uma música coletivamente chamada “Quando a Estação era Mundo”, a partir de uma ideia inicial de Kauane. “Eu me surpreendi com o projeto. A gente aprendeu sobre melodia, ritmo, harmonia, e fizemos uma atividade para testar os sons. Criamos a música parte por parte, foi incrível! Amei o trabalho em conjunto”, pontua.
Para o diretor e criador da Cabeluxo Produções, Cabeluxo Ferreira, os alunos receberam a atividade com curiosidade, abertura e participação ativa, transformando a viagem em uma experiência educativa e afetiva. “Os alunos não foram tratados apenas como espectadores, mas como participantes ativos da experiência. Em vários momentos, os personagens convidam diretamente o público a conversar, compartilhar e perceber detalhes do caminho, registrar pensamentos e imaginar soluções e caminhos mais seguros para a convivência com a ferrovia”, observa.
Pertencimento
Na visão da coordenadora Carolina Castilholi, o modelo pedagógico adotado pelo Projeto Viagem Capixaba possibilita aos participantes valorizar as histórias e memórias das comunidades ao longo da Ferrovia Vitória a Minas, por meio de ferramentas que promovam a reflexão sobre o entrelaçamento da história da ferrovia com a identidade local. “Valorizar essas memórias contribui para fortalecer o sentimento de pertencimento e ampliar o diálogo sobre segurança ferroviária e o cuidado com os espaços compartilhados da cidade, reconhecendo as narrativas locais como parte importante da história dessas comunidades”, destaca.
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Fonte: José Roberto Santos Neves – Assessoria JRSN

















