Atividades criativas podem ser tão poderosas quanto exercícios físicos na luta contra o envelhecimento cerebral. Essa é a conclusão de um estudo internacional publicado recentemente na revista Nature Communications, que analisou mais de 1.200 pessoas em dez países.
Segundo os pesquisadores, práticas como dança, música, pintura e aprendizado de idiomas ativam múltiplas regiões do cérebro simultaneamente e podem fazer com que ele funcione como se fosse anos mais jovem. Em alguns casos, o desvio entre idade real e idade cerebral chegou a sete anos.
Em Vitória, iniciativas locais já colocam essa ciência em prática. A Mo’ã Residência de Vida Ativa, localizada no Canal de Camburi, desenvolve atividades que combinam arte e movimento para estimular corpo e mente de seus moradores.
Segundo a diretora Gabriela Taquetti, a cultura é parte essencial do envelhecimento saudável: “Envelhecer não é parar. É descobrir novas formas de expressão, manter o corpo em movimento e a mente desperta. A arte, a poesia, a dança… Tudo isso é cuidado também”, afirma.
Além de práticas como leitura de poesia e exercícios físicos, a Mo’ã oferece um conjunto de atividades criativas que inclui aulas de pintura em tecido e em tela, crochê, tricô e uma oficina de jogos. De acordo com Gabriela, essas práticas vão muito além do entretenimento: trabalham a motricidade fina (movimentos precisos de mãos e dedos, fundamentais para preservar autonomia nas atividades da vida diária) e estimulam funções cognitivas como planejamento, escolha de cores, criação e memória operacional. “Também fortalecem a expressão emocional, já que permitem externalizar sentimentos de forma segura, elevam a autoestima ao transformar ideias em produtos concretos e contribuem para reduzir níveis de ansiedade”, acrescenta.
O estudo da Nature Communications também acende um alerta: o acesso desigual à cultura pode limitar os benefícios cognitivos em populações mais vulneráveis. Por isso, especialistas defendem políticas públicas que ampliem o alcance de atividades criativas, especialmente entre idosos.
“Vivemos em um país onde o envelhecimento populacional se acelera ano após ano, por isso investir em experiências que ampliem a vitalidade e estimulem novas conexões é essencial. A arte pode ser uma aliada poderosa da longevidade, e não apenas do corpo, mas da mente”, conclui Gabriela.
Fotos: Mo’ã Residência de Vida Ativa
Fonte: Rosane Freitas – Mile4 Assessoria de comunicação


















